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| Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil |
A economia brasileira atravessou 2025 em uma corda bamba entre o consumo resiliente e o aperto monetário. Enquanto o mercado de trabalho surpreendeu positivamente, as contas públicas e a inflação persistente mantiveram o país em um estado de alerta constante.Abaixo, apresento a retrospectiva detalhada deste ano fiscal.
O ano de 2025 termina com um sentimento misto para o brasileiro. Se por um lado o desemprego atingiu níveis historicamente baixos, por outro, o custo de vida e os juros elevados impediram que esse otimismo se traduzisse em prosperidade generalizada. O Brasil encerra o ano com o Produto Interno Bruto (PIB) apresentando um crescimento estimado em 2,2%, uma desaceleração em comparação aos anos anteriores.
O Calendário da Economia: Mês a Mês- Janeiro e Fevereiro: O ano começou com otimismo no mercado de trabalho e o anúncio do novo salário mínimo de R$ 1.518,00 representando um ganho real de 2,6%. Contudo, o Banco Central já sinalizava que a Selic não cairia tão cedo devido à resiliência dos preços.
- Março e Abril: O foco voltou-se para Brasília. A aprovação tardia do Orçamento de 2025 gerou incertezas sobre o cumprimento das metas fiscais. A inflação de alimentos começou a dar os primeiros sinais de pressão.
- Maio e Junho: O setor de serviços continuou impulsionando o PIB, mas o dólar alto começou a encarecer insumos industriais. O debate sobre a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil dominou a pauta legislativa.
- Julho e Agosto: O Governo Central registrou déficits primários preocupantes (R$ 59,1 bilhões apenas em julho), acendendo o sinal amarelo para o cumprimento do arcabouço fiscal.
- Setembro e Outubro: A inflação oficial (IPCA) acumulada em 12 meses ultrapassou o teto da meta em alguns momentos, forçando o Banco Central a manter a taxa Selic no patamar elevado de 15%.
- Novembro e Dezembro: O ano termina com um esforço de "faseamento" de gastos públicos para tentar entregar um déficit primário próximo a 0,5% do PIB, enquanto o consumo das famílias mostra sinais de cansaço devido ao crédito caro.
Ganho Real vs. Inflação: O Bolso do Trabalhador
O trabalhador viveu uma realidade ambígua. A taxa de desemprego caiu para 5,6%, a menor da série histórica da PNAD Contínua. No entanto, o ganho real foi corroído por uma inflação que teimou em ficar acima de 4,5% ao ano.
Enquanto o salário mínimo teve um aumento acima da inflação, a classe média sentiu o peso dos serviços e da energia elétrica, que subiram significativamente no segundo semestre. O poder de compra não acompanhou a euforia dos dados de emprego.
Contas Públicas: O Calcanhar de Aquiles
O ano fiscal de 2025 revela um descontrole preocupante nos gastos. Os desembolsos públicos devem fechar o ano em R$ 5,2 trilhões, superando a arrecadação.
- Déficit Nominal: Projeta-se um rombo de 8,4% do PIB, influenciado diretamente pelo custo da dívida pública sob juros de dois dígitos.
- Dívida Líquida: O endividamento do setor público saltou para quase 66% do PIB, um patamar que mantém investidores cautelosos e o dólar pressionado.
Veredito: O Brasil termina o ano melhor ou pior?
Do ponto de vista social e de ocupação, o Brasil termina melhor. Mais brasileiros estão empregados e o salário mínimo recuperou parte do seu valor de compra.
Contudo, do ponto de vista macroeconômico e fiscal, o país termina o ano em situação pior. O governo não conseguiu transmitir confiança total sobre o controle de gastos, a inflação encerrou o ano no limite superior da meta e os juros elevados de 15% ao ano são um freio potente para qualquer investimento em 2026.
A economia brasileira em 2025 foi um motor funcionando com o freio de mão puxado: há força para andar, mas o custo dessa movimentação está ficando caro demais para o futuro.
Para entender mais sobre como o mercado financeiro reagiu a esses números no encerramento do ano, recomendo assistir a esta

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